quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Os trabalhos de inverno na vinha

As ultimas semanas marcaram o regresso dos trabalhos nas vinhas.


Neste inverno anormalmente quente, voltamos a vinha em Janeiro, para podar e para escavar a terra a volta das videiras.

Estes trabalhos são de certa forma estruturais para o ciclo vegetativo deste ano.
Pois se com a poda fica definida a produção maxima com que ficara cada cêpa, com a escava, os solos ficam melhor arrejados e a agua das chuvas invernais fica de certa forma canalizada para as zonas onde mais é precisa, ou seja nas zonas das raizes. Fica-se portanto com videiras melhor preparadas para o que vira mais tarde durante o ano.

A poda é como ja expliquei em post anteriores a poda dita "Guyot" simples ou duplo, consoante as cêpas e seu vigor. E o tipo de poda tradicional nas vinhas velhas do sopé da Serra da Estrela. Um tipo de poda que permite maior equilibrio, saude e longevidade as cêpas. Um modo tradicional que não abandonamos, tal como não abandonamos os trabalhos tradicionais dos solos.

E assim, muito trabalho nas vinhas, longe dos quimicos e das preguiças... Um trabalho custoso, mas que é o mais adequado ao tipo de vinho que pretendo fazer.

sábado, 16 de janeiro de 2016

A maratona

Passam os dias... Passam as semanas...
Cada vez com menos tempo para vir aqui escrever o que me vai pela cabeça. 


Tenho andado sempre a correr, a fazer mil e umas coisas, continuando numa busca frenetica e ilusoria de um ideal, alternando entre momentos de animo e outros de desolação frente a certos aspectos do que vou encontrando.


Ha ainda muito para construir.
2016 sera ano de passos importantes.


Mas embora saiba que estou no caminho certo e que ja faltou menos... A energia vai-me faltando.
A possibilidade de se acabar na fossa comum existe, tal como existe a possibilidade oposta.


Na busca da paz e harmonia, o cansaço e a incompreensão vou ameaçando cada vez mais.
Mais um esforço, são os ultimos kilometros desta maratona, para bem ou para mal.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Uma fuga até ao Brasil

Hoje partilho convosco dois artigos recentes que falam deste projecto.


Um artigo de Pedro Garcias que saiu no Fugas (Publico) deste ultimo fim de semana:
Os seniores e os juniores que estao a mudar a imagem do dao


E um post que nos vem do Brasil, escrito por Rodrigo Canabrava no seu blog Sobre vinhos e afins :
http://www.sobrevinhoseafins.com.br/2015/12/antonio-madeira-dao-vinhas-velhas-2012.html


Boas leituras!

sábado, 28 de novembro de 2015

Outono 2015 no Dão Serra da Estrela

Partilho aqui fotos de 15 de Novembro 2015.
Fotos que ilustram o Outono de 2015 no Dão do sopé da Serra da Estrela.



Nota-se que as chuvas ja originaram uma vegetação abundante nos solos.


Sobressai tambem a beleza das cores outonais, onde tons de laranja, de castanho e de verde se combinam formando um quadro harmonioso.

Estas fotos foram tiradas na mesma tarde em duas vinhas diferentes.


Nota-se bem a diferença do comportamento dos solos.


 Num caso solos mais ricos.



E noutro caso, solos mais pobres.
 

As vinhas começam a armazenar a energia nas raizes, iniciam a fase de dormencia.
A seiva refugia-se assim no solo, deixando as varas de certa forma sem vida, secando as folhas que tambem ao solo retornam.

Faz-se assim uma pausa. A planta procura agora descanso depois de mais um ciclo, depois de nos ter oferecido o seu fruto.
Daqui a uns meses voltara a acordar.
Entretanto vamos ajuda-la, podando-a, o que lhe permitira canalizar energias quando acordar para mais um ciclo. Ciclo que sera, como sempre, diferente de todos os que ja conheceu.

domingo, 22 de novembro de 2015

Festa Portuguesa em Berlin

Um video de apresentação de vinhos portugueses em Berlin, com a presença do meu tinto de 2012.
O publico de Berlin pode descobrir aromas e sabores portugueses graças a esta iniciativa.
Fica este video para recordação dos bons momentos passados com os meus amigos de Berlin e com os colegas portugueses, a convite do meu cliente e amigo, Philippe Causse (Maître Philippe et filles).


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O primeiro ensaio em Rosé

 Este ano, pela primeira vez, fiz um ensaio em rosé.


Uma pequena cuba, 500 litros, para primeiro ensaio, para ver o que resulta da experiência.

A vontade de experimentar ja vinha de ha algum tempo, mas ainda não tinha conseguido reunir as condições. Este ano quase tambem não conseguia, mas finalmente la tive a oportunidade.

A ideia era fazer um rosé diferente, um rosé com caracter, que fosse mais longe do que o obvio.
Um vinho que em vez de ser doce e comercial, fosse mais na onda dos meus brancos, tenso, mineral, com sentido de terroir.


 As uvas utilizadas para o ensaio vêm de vinhas velhas, com misturas de muitas castas, caso penso que unico até agora em Portugal.


Uvas vindimadas tarde, ja em Outubro.
Tarde demais? Não sei, veremos. Gostaria de ter vindimado umas duas semanas mais cedo, mas por diversas razões não foi possivel. Veremos portanto.


Para a prensagem, este ano tivemos um reforço na Quinta da Pellada, com um estagiario, o Tiago Félix. Um rapaz de Seia, formado em enologia e que demostra muita vontade de trabalhar e aprender.
E com o Luis a orientar os trabalhos, encontrou aqui optimo "professor".

Fizemos uma prensagem directa, para não carregar muito a cor, que mesmo assim ja esta bem presente.

Pessoalmente gostava de ter feito um pouco de maceração. Mas actualmente, isso não é muito bem visto pelo "mercado", que procura rosés com pouca cor. Neste ponto portanto optamos por conceder.

Mas nos pontos mais importantes para nos não concedemos.

Portanto, continuamos a não inocular leveduras compradas no comercio. Fizemos um rosé como fazemos os outros vinhos, com as leveduras indigenas, aquelas que vêm com as uvas, aquelas que vêm das vinhas e que portanto vão expressar os gostos e sabores da terra donde o vinho vem.

Em relação a enzimas e produtos diversos enologicos, foi como de costume, não utilizamos nada (a não ser um pouco de sulfuroso).


Como podem entender, procuramos portanto fazer um rosé puro.


A ideia é conseguir um vinho seco, saboroso, granitico, fresco e salivante.


O futuro proximo vira confirmar se conseguimos ou não.

Geração Grunge

Um artigo como nunca li. Inovador! 

http://bebespontocomes.pt/2015/11/08/geracao-grunge/

Levou me a viajar no tempo, 20 anos atras, quando ainda andava no liceu a ouvir Nirvana!
E de facto tem tanto a ver! 
Fantastico!
Os meus parabens a Joana Marta e Pedro Moreira peo excelente trabalho que estão a realizar no blog Bebes.Comes!
O mundo dos vinhos agradece a vossa criatividade!

sábado, 7 de novembro de 2015

A Palheira on tour!

As ultimas semanas têm sido intensas a varios niveis, principalmente em termos de eventos e provas comerciais. Tem sido uma nova experiência para mim e confesso que estou a gostar.



Fui convidado por varios clientes a participar nos seus eventos de promoção dos vinhos portugueses.

Por isso, os ultimos fins de semanas têm sido de viagens pela Europa, para dar a conhecer o Dão e a Serra da Estrela.

Comecei por Berlin, onde tive a oportunidade de participar no evento do meu cliente, e de rever a minha amiga Rita Marques, autora dos belos vinhos durienses Conceito e Contraste. O seu Bastardo continua fascinante pela sua genuinidade
.
Pude tambem finalmente conhecer ao vivo a Anabela Campos-Neves, uma seguidora deste blog e das minhas aventuras, uma pessoa como vocês caros leitores, sem quem este blog não faria sentido.


Adorei conhecer Berlin, deu para ver que é uma cidade muito activa, onde a vida sabe bem e onde as pessoas gostam de gastronomia. Gostei tambem de conhecer os alemães de Berlin, gente aberta e culta. Fiquei com vontade de la voltar muitas vezes!
Os meus agradecimentos ao Philippe Causse e suas filhas pela oportunidade que me deram!


 No fim de semana seguinte fui até Madrid para a prova do meu cliente, a Lavinia. 
Garrafeira de renome, onde estou agora com amigos de outras regiões a representar Portugal.
Foi uma prova muito boa, com muita gente curiosa, a procurar saber mais sobre Portugal e seus vinhos. Foi uma honra poder la estar. Devo esta oportunidade a sensibilidade de Juan Manuel Bellver, uma pessoa por quem tenho enorme carinho e respeito. Uma pessoa das mais cultas que conheço a nivel de vinho, gastronomia e arte. Um Senhor!

Foto tirada pelo Gustavo Roseira
Na semana passada foi a vez de voltar a Lisboa, desta vez para participar no Encontro com Vinhos e Sabores. O evento mais emblematico do pais, organizado pela Revista de Vinhos.
Evento em que apesar das minhas limitações orçamentais, pude participar a convite da Niepoort Projectos, pelo terceiro ano consecutivo. Foi mais uma vez uma experiência fantastica, onde pude ouvir a opinião das pessoas e em particular de alguns de vocês, caros leitores!
O meu grande obrigado ao Dirk e a sua equipa por me apoiarem nesta aventura! Vocês têm sido fantasticos!

*

Finalmente, esta época pré-natalicia tera no proximo sabado 14 de Novembro um novo momento especial. Sera a primeira vez em que vou participar num evento no Dão com os meus vinhos.
Evento organizado pela Cave Lusa, a distribuidora que me esta a ajudar a estar presente nas cartas e garrafeiras da região onde tenho as minhas raizes.


Espero ver alguns de vocês em Viseu no proximo Sabado!
Até ja!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

As vindimas de 2015

Chegou a hora de um primeiro balanço sobre a vindima de 2015.


Estive na santa terra 5 semanas, de inicio de Setembro até 8 de Outubro.
Foram dias non stop sempre a correr, sem parar.
Regressado a Paris, da para avaliar o cansaço acumulado. Foram dias a começar as 7 da manhã e a acabarem as 23h, com um ritmo alucinante de trabalhos e organizar e a realizar.


Felizmente pude mais uma vez contar com a ajuda preciosa de familiares e amigos. Tenho sorte!



O minimo que posso dizer acerca do millésime 2015 é que promete muito.


Em termos de quantidade, nunca tinha visto nada assim nas 6 vindimas que levo.
Tive vinhas que deram o dobro do ano passado.


Depois de um ano catastrofico de 2014 em que tinha perdido uns 40% da produção, 2015 vem agora ajudar a compor "as contas".


A nivel de qualidade ainda é cedo para conclusões.


No entanto, os indicadores são bons.


Primeiro porque vindimou-se praticamente tudo sem encontrar um cacho podre... Diria que provavelmente aproveitamos 99% das uvas, coisa nunca vista nos anos anteriores. Portanto uvas sãs, mostos limpissimos.


Depois porque as acidez totais e os pH estão bons. A questão da acidez era a principal duvida que tinha antes da vindima, temia que a seca tivesse um impacto negativo a este nivel. Mas de facto tal não se veio a confirmar. Acidez normais para a zona, entre 5 et 6,3 nos tintos e pH bastante acidos, a volta dos 3,3.


Alcool provavel entre os 12,5 e os 14,5 consoante as parcelas e épocas de vindimas. A evolução do mesmo foi curiosa, distinguindo-se a vindima em duas partes, antes e depois das chuvas.
Antes alcool provavel nas vinhas mais precoces a 12,5/13 e a 11 nas mais tardias. Vindimei as mais precoces e deixei as outras para depois da chuva, cruzando os dedos para que a podridão não desenvolvesse, principalmente na sensivel Baga. Felizmente tal não veio a acontecer. Pelo contrario a chuva veio dar uma boa ajuda, porque a seguir a esta rega natural, vieram varios dias de sol e calor. Estes dias puxaram pelas maturações. Em poucos dias as vinhas que indicavam um grau provavel de 11% dipararam para 13%. Foi altura de vindimar o resto.



Uvas sãs, boas e em quantidade.


Consegui alcançar os diversos objectivos que tinha definido.
Voltei por isso para Paris todo roto, cansadissimo, mas feliz!

sábado, 29 de agosto de 2015

Enquanto não chegam as vindimas 2015

Ja so falta uma semana para voltar a santa terrinha.
 

 As vindimas estão quase a chegar.


Por enquanto o ano promete.


Veremos se o tempo da uma ajuda e não acaba por estragar parte da colheita, como foi no ano passado.

Enquanto não chega o dia de voltar, o tempo custa a passar.


Para ajudar a aguentar estes ultimos dias, o meu amigo Luis Lopes enviou-me estas fotos esta semana.


Fotos que ilustram o estado de adiantamento de algumas das vinhas que cultivo.


Nestas fotos aparecem ao todo 6 vinhas.


So faltam as fotos de mais outras 5 vinhas que cultivo, para que o puzzle esteja completo.


Puzzle complexo, trabalho de formiga...


Palpita-se que a vindima de branco arrancara logo a seguir a minha chegada.


Embora ja se tenha mais ou menos uma ideia de como se vai começar, a primeira coisa a fazer quando chegar sera ir provar uvas, recolher amostras de cada parcela e medir o grau provavel, de maneira planear e organizar as operações.


Este ano devera tudo começar cerca de uma a duas semanas mais cedo.


Veremos se se confirma.


A esperança é que depois de um 2014 que deu muita despesa e em que se perdeu muita produção, agora 2015 venha dar uma ajuda para compor as contas, com um ano de qualidade e quantidade.


Veremos se São Pedro valida a esperança.


Até la, o receio, embora controlado, existe.


E assim a vida de vigneron, ha que se ter um coração forte!